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Folha de S. Paulo: PSL teria repassado verba pública à candidata laranja

Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, secretária administrativa do partido em PE, teria recebido R$ 400 mil nas eleições do ano passado

  • Repórter Tainá Ferreira
  • Data de publicação: 11 de Fevereiro de 2019, 17:15h
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Reportagem feita pelo jornal Folha de S. Paulo revelou que a equipe de Luciano Bivar, atual presidente do PSL e eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, é acusada de criar uma candidata laranja em Pernambuco.

Segundo o jornal, o caso trata da secretária administrativa do partido no estado, Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, que teria recebido R$ 400 mil de dinheiro público para investir em campanha eleitoral, durante o pleito do ano passado. Ela concorreu ao cargo de deputada federal e teve apenas 274 votos.

De acordo com prestação de contas feita pela própria Lourdes Paixão, a candidata teria gasto 95% dos R$ 400 mil em uma gráfica para a impressão de 9 milhões de santinhos e cerca de 1 milhão e 700 mil adesivos, dias antes do primeiro turno das eleições.

Maria foi a terceira maior beneficiada com a verba do partido em todo o país, mais até do que o presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann, de São Paulo, que obteve mais de 1 milhão de votos.

Essa nova acusação tem como base uma outra apuração da Folha, que no início do mê revelou que o ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), teria arquitetado um esquema de candidaturas laranjas que direcionou verbas do PSL para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Em entrevista concedida à Folha, Maria de Lourdes relatou que “recebeu um valor expressivo” para produzir o material de campanha. Quando questionada se o material chegou a custar R$ 400 mil, ela disse que não sabia porque não se lembra de alguns fatos, mas que tudo que executou foi feito mediante nota fiscal. O jornal visitou os endereços informados pela gráfica nas notas fiscais e na Receita Federal, mas não encontrou os estabelecimentos.

O dinheiro do fundo partidário foi enviado pela direção nacional do PSL para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dia antes do primeiro turno. Na época, Gustavo Bebianno, que hoje é ministro da Secretaria-Geral da Presidência, era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Bolsonaro.

O vice-presidente nacional do PSL, Antônio de Rueda, e Luciano Bivar, que retomou o comando formal da legenda após as eleições, disseram saber pouco sobre a campanha e candidatura de Lourdes, mesmo com os altos valores aplicados. Além disso, atribuíram a decisão do repasse de R$ 400 mil a Bebianno.

Em resposta, o ministro da Secretaria-Geral da União negou ter sido o responsável pela transferência da "candidata laranja" de Pernambuco. Em entrevista à rádio CBN, Bebianno disse “nunca ter visto na vida a candidata". E completou que "não tem nada de errado com o partido e com a direção nacional porque o dinheiro foi liberado pelo Supremo e poderia ser usado para fins eleitorais, para campanhas de mulheres".

Luciano Bivar, por sua vez, defendeu a utilização do dinheiro, pois, segundo ele, o repasse foi feito dentro da legalidade. Questionado pela Folha se é possível fazer 4 milhões de santinhos na véspera da eleição, ele disse que isso é uma questão de marketing.

Em outro trecho da entrevista, Bivar declarou que, em seu ponto de vista, "mulher não tem vocação para política". O presidente do PSL se disse ainda contra as cotas, pois em virtude da lei, que obriga 30% das vagas serem destinadas às mulheres, "muitos candidatos masculinos bons foram cortados". E utilizou como exemplo as bailarinas. "Se destinasse 50% das vagas de balé para homens, iria perder belíssimas bailarinas, porque a vocação de mulher para o balé é maior que a dos homens", disse ele.

A revelação sobre o repasse de R$ 400 mil parece ter causado constrangimento no partido e no governo. Gustavo Bebianno tentou falar com Bolsonaro neste domingo (10), por telefone, para explicar o caso, mas o presidente não quis atender o ministro. O vice-presidente, Hamilton Mourão, após saber do ocorrido, disse que “o caso deve ser investigado”.

Reportagem, Tainá Ferreira
 

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Reportagem feita pelo jornal Folha de São Paulo revelou que a equipe de Luciano Bivar, atual presidente do PSL e eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, é acusada de criar uma candidata laranja em Pernambuco.

Segundo o jornal, o caso trata da secretária administrativa do partido no estado, Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, que teria recebido quatrocentos mil de dinheiro público para investir em campanha eleitoral, durante o pleito do ano passado. Ela concorreu ao cargo de deputada federal e teve apenas duzentos e setenta e quatro votos.

De acordo com prestação de contas feita pela própria Lourdes Paixão, a candidata teria gasto noventa e cinco por cento dos quatrocentos mil em uma gráfica para a impressão de 9 milhões de santinhos e cerca de 1 milhão e 700 mil adesivos, dias antes do primeiro turno das eleições.

Maria foi a terceira maior beneficiada com a verba do partido em todo o país, mais até do que o presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann, de São Paulo, que obteve mais de 1 milhão de votos.

Essa nova acusação tem como base uma outra apuração da Folha, que no início do mês revelou que o ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, do PSL, teria arquitetado um esquema de candidaturas laranjas que direcionou verbas do PSL para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Em entrevista concedida à Folha, Maria de Lourdes relatou que “recebeu um valor expressivo” para produzir o material de campanha. Quando questionada se o material chegou a custar quatrocentos mil, ela disse que não sabia porque não se lembra de alguns fatos, mas que tudo que executou foi feito mediante nota fiscal. O jornal visitou os endereços informados pela gráfica nas notas fiscais e na Receita Federal, mas não encontrou os estabelecimentos.

O dinheiro do fundo partidário foi enviado pela direção nacional do PSL para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dia antes do primeiro turno. Na época, Gustavo Bebianno, que hoje é ministro da Secretaria-Geral da Presidência, era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Bolsonaro.

O vice-presidente nacional do PSL, Antônio de Rueda, e Luciano Bivar, que retomou o comando formal da legenda após as eleições, disseram saber pouco sobre a campanha e candidatura de Lourdes, mesmo com os altos valores aplicados. Além disso, atribuíram a decisão do repasse quatrocentos mil a Bebianno.

Em resposta, o ministro da Secretaria-Geral da União negou ter sido o responsável pela transferência da "candidata laranja" de Pernambuco. Em entrevista à rádio CBN, Bebianno disse “nunca ter visto na vida a candidata". E completou que "não tem nada de errado com o partido e com a direção nacional porque o dinheiro foi liberado pelo Supremo e poderia ser usado para fins eleitorais, para campanhas de mulheres".

Luciano Bivar, por sua vez, defendeu a utilização do dinheiro, pois, segundo ele, o repasse foi feito dentro da legalidade. Questionado pela Folha se é possível fazer 4 milhões de santinhos na véspera da eleição, ele disse que isso é uma questão de marketing.

Em outro trecho da entrevista, Bivar declarou que, em seu ponto de vista, "mulher não tem vocação para política". O presidente do PSL se disse ainda contra as cotas, pois em virtude da lei, que obriga trinta por cento das vagas serem destinadas às mulheres, "muitos candidatos masculinos bons foram cortados". E utilizou como exemplo as bailarinas. "Se destinasse 50 por cento das vagas de balé para homens, iria perder belíssimas bailarinas, porque a vocação de mulher para o balé é maior que a dos homens", disse ele.

A revelação sobre o repasse de quatrocentos mil parece ter causado constrangimento no partido e no governo. Gustavo Bebianno tentou falar com Bolsonaro neste domingo (10), por telefone, para explicar o caso, mas o presidente não quis atender o ministro. O vice-presidente, Hamilton Mourão, após saber do ocorrido, disse que “o caso deve ser investigado”.

Reportagem, Tainá Ferreira